Mitros acordou sem fôlego de um sonho intranquilo.
Abriu as cortinas do dossel e foi até a sacada de seu quarto. No limite da visão se espalhavam jardins belíssimos, em múltiplos tons de bordô e marfim, como se todas as folhas se despedissem dos últimos dias de inverno. Ilhotas se conectavam por correntes colossais, unidas à cidadela repleta de palácios e torres ao redor. A visão de seu lar era suficiente para acalmá-lo do que quer que tivesse encontrado em seu sono. Atalanta era majestosa, e carregava seus bosques suspensos pelos ares há centenas de anos.
O jovem sub-artífice teria sua última prova naquele dia. Sentia o nervosismo se revirar como uma cobra. Mas era sempre assim. Um frio glacial povoava sua barriga até quase que imediatamente antes das avaliações. Depois ele permitia que se infiltrasse em sua mente, e aí então tudo ficava sob controle, até que a sua provação tivesse chegado ao fim e ele saísse trêmulo de alívio.
Aquele dia seria o último. Se fosse aprovado, poderia vestir o vermelho com todo o orgulho que lhe cabia. Seria um Artífice Real, autorizado pela Triarquia a realizar todo tipo de Artifício.
Artifícios eram complicados e poderosos. Ao compreender suas regras, um bom artífice poderia transformar chumbo em ouro, reparar intestinos de enfermos, derreter areia ou engolir as sombras.
Mitros sabia que ainda havia muito a saber mesmo que recebesse a Medalha de Pigmalião, a valiosa insígnia de um Artíficie Real. O percurso de qualquer artífice era árduo e tortuoso...Mas ele queria mais. Queria melhor.
Iria aprender tudo que precisava, e então seria livre para recuperar o trono de seu pai.
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